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27 Julho, 2026

A flexibilidade será um dos pilares do futuro da eletricidade em Portugal. O que muda para consumidores e empresas?

A flexibilidade será um dos pilares do futuro da eletricidade em Portugal. O que muda para consumidores e empresas?

A eletricidade está a atravessar uma das maiores transformações da sua história. A produção renovável cresce de forma acelerada, os veículos elétricos multiplicam-se, surgem baterias, comunidades de energia e novas formas de gerir o consumo. Mas esta transição traz um novo desafio: como garantir que a produção e o consumo permanecem equilibrados a cada segundo?

Foi precisamente para responder a esta questão que a ERSE publicou o Relatório de Análise de Necessidades de Flexibilidade em Portugal, um estudo que avalia as necessidades do sistema elétrico nacional entre 2030 e 2035. O relatório conclui que a flexibilidade deixará de ser um conceito técnico reservado aos operadores de rede para passar a desempenhar um papel central na forma como produzimos, armazenamos e consumimos energia.


O que significa "flexibilidade" no sistema elétrico?

De forma simples, a flexibilidade é a capacidade de adaptar rapidamente a produção ou o consumo de eletricidade sempre que as condições do sistema mudam.

Durante um dia solar de primavera, por exemplo, os painéis fotovoltaicos podem produzir muito mais energia do que aquela que está a ser consumida. Horas depois, ao final da tarde, essa produção desaparece precisamente quando o consumo aumenta.

Sem mecanismos de flexibilidade, o sistema é obrigado a desperdiçar parte da energia renovável produzida ou a recorrer a outras fontes de produção para manter o equilíbrio da rede.


Porque é que este tema é cada vez mais importante?

Portugal definiu objetivos muito ambiciosos para aumentar a produção de energia renovável e reduzir as emissões de carbono. Quanto maior for a presença de fontes como a solar e a eólica, maior será também a variabilidade da produção elétrica. Segundo a ERSE, a flexibilidade será essencial para garantir simultaneamente:

maior integração de energias renováveis

segurança do abastecimento

estabilidade da rede elétrica

menor desperdício de energia produzida


Milhares de GWh de energia renovável poderão ser desperdiçados

Um dos indicadores mais relevantes do estudo é o potencial desperdício de energia renovável.

Nos cenários analisados, a ERSE estima que, sem recursos adicionais de flexibilidade, Portugal poderá desperdiçar entre 2,7 a 4,3 TWh de energia renovável em 2030, e 1,4 a 6 TWh em 2035.

Apesar destes valores representarem menos de 6% da produção renovável prevista, correspondem a uma quantidade muito significativa de energia limpa que poderá deixar de ser aproveitada caso o sistema não disponha de mecanismos suficientes para a absorver.


Que soluções poderão responder a estas necessidades?

O estudo não aponta uma única tecnologia vencedora. Pelo contrário, conclui que será necessária uma combinação de diferentes recursos. Entre as soluções identificadas destacam-se:

baterias eletroquímicas

armazenamento de longa duração

resposta da procura (alteração inteligente dos consumos)

carregamento flexível de veículos elétricos

bombas de calor

outras tecnologias de armazenamento e gestão energética

Para praticamente eliminar o desperdício de energia renovável, a análise indica que poderão ser necessários mais de 7 GW de recursos de flexibilidade de curta duração (2 a 8 horas) e cerca de 2 a 3 GW de armazenamento de longa duração (50 horas).


As interligações continuam a ser fundamentais

Outro aspeto importante identificado pela ERSE prende-se com as interligações internacionais.

Quando o estudo simula um cenário com menor capacidade de interligação entre Portugal e Espanha, as necessidades de flexibilidade aumentam significativamente.

Isto demonstra que a possibilidade de importar ou exportar eletricidade continua a desempenhar um papel importante na estabilidade do sistema elétrico nacional.


E as redes elétricas?

Ao nível das infraestruturas, as conclusões são distintas para transporte e distribuição.

A REN não identificou necessidades relevantes de flexibilidade na rede de transporte, uma vez que o planeamento atual prevê capacidade suficiente para integrar as novas ligações.

Já a E-Redes estima necessidades adicionais na rede de distribuição de aproximadamente 48,7 MW em 2030, e 56,8 MW em 2035.

Estas necessidades estão associadas sobretudo à gestão local da rede e à prevenção de congestionamentos.


O que muda para consumidores e empresas?

Embora muitas destas conclusões pareçam distantes da realidade do consumidor, a verdade é que a flexibilidade vai começar a refletir-se cada vez mais na gestão diária da energia.

Nos próximos anos será expectável assistir a uma maior valorização de soluções como:

baterias residenciais e empresariais

carregamento inteligente de veículos elétricos

gestão automática dos consumos

autoconsumo com armazenamento

participação em serviços de flexibilidade e resposta da procura

Consumidores e empresas deixarão gradualmente de ser apenas utilizadores de eletricidade para passarem também a desempenhar um papel ativo na estabilidade do sistema.


O papel da tecnologia será decisivo

A ERSE identifica igualmente a necessidade de eliminar barreiras regulatórias e acelerar a digitalização do setor.

Contadores inteligentes, monitorização em tempo real, plataformas digitais e sistemas de gestão energética serão ferramentas fundamentais para disponibilizar flexibilidade ao sistema elétrico e permitir uma utilização mais eficiente da energia.



O relatório da ERSE confirma uma tendência que já se verifica em vários mercados europeus: o futuro da energia não depende apenas de produzir mais eletricidade renovável, mas também de saber quando a consumir, armazenar e gerir.

Na Hype7 acompanhamos diariamente esta evolução. Através da análise de consumos, monitorização energética, autoconsumo, armazenamento e soluções inteligentes de gestão, ajudamos consumidores e empresas a preparar-se para um sistema elétrico cada vez mais flexível.

À medida que o mercado evolui, quem for capaz de adaptar os seus consumos e aproveitar as novas oportunidades poderá não só reduzir custos, como também contribuir para um sistema energético mais eficiente e sustentável.


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