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10 Agosto, 2026

Mercado de eletricidade em Portugal: o que marcou julho de 2026

Mercado de eletricidade em Portugal: o que marcou julho de 2026

Julho ficou marcado por uma subida expressiva do preço da eletricidade no mercado grossista português, num mês em que o setor conheceu também vários desenvolvimentos regulatórios relevantes.


O preço médio do mercado diário atingiu 106,98 €/MWh, o valor mensal mais elevado registado desde o início de 2026. Paralelamente, a ERSE avançou com alterações aos períodos horários, publicou a análise das necessidades futuras de flexibilidade do sistema elétrico e colocou em consulta pública mudanças relacionadas com os Encargos de Regulação para o Sistema.


Neste artigo, fazemos uma síntese dos principais números e acontecimentos que marcaram o mercado de eletricidade em Portugal em julho de 2026.



O preço da eletricidade atingiu 106,98€/MWh em julho

O preço médio da eletricidade no mercado diário português atingiu 106,98 €/MWh em julho, prolongando a trajetória de subida observada nos últimos meses.


Depois de fevereiro ter registado uma média de apenas 10,64 €/MWh, o preço aumentou para 40,86 €/MWh em março, 42,42 €/MWh em abril, 54,08 €/MWh em maio e 70,25 €/MWh em junho.


Em julho, o aumento foi particularmente significativo: o preço médio subiu cerca de 52% face a junho, ultrapassando pela primeira vez este ano os 100 €/MWh.


 


A comparação com o mesmo período do ano passado evidencia igualmente esta subida. Em julho de 2025, o preço médio tinha sido de 70,10 €/MWh. Um ano depois, atingiu 106,98 €/MWh, o que representa um aumento homólogo de aproximadamente 52,6%.


A amplitude de preços dentro do próprio mês também aumentou. Em julho de 2026, o preço horário variou entre um mínimo de 2,00 €/MWh e um máximo de 290,00 €/MWh. Em julho de 2025, os valores tinham oscilado entre 1,01 €/MWh e 175,49 €/MWh.


 


Estes números mostram que o preço médio mensal, apesar de ser uma referência importante, não conta toda a história. A diferença entre as horas mais baratas e mais caras reforça a importância do momento em que a eletricidade é consumida, sobretudo para consumidores com tarifários indexados e empresas com maior capacidade para gerir o seu perfil de consumo.



Os Encargos de Regulação mantiveram-se próximos dos 15€/MWh

O preço do mercado diário não é a única componente relevante na formação do custo de fornecimento de eletricidade. Importa acompanhar também os Encargos de Regulação para o Sistema (ERS), frequentemente designados por Custos de Gestão do Sistema (CGS).


Em julho, estes encargos registaram um valor médio de 14,98 €/MWh, ligeiramente acima dos 14,49 €/MWh de junho, mas bastante abaixo do máximo de 29,42 €/MWh registado em fevereiro.



 

A evolução das duas componentes foi, portanto, distinta em julho. Enquanto o preço médio do mercado diário aumentou de 70,25 €/MWh para 106,98 €/MWh, os Encargos de Regulação permaneceram relativamente estáveis.

Ainda assim, estes encargos continuam a representar uma componente relevante do custo de fornecimento e a sua volatilidade tornou-se uma preocupação para o setor. É precisamente este tema que está no centro de uma das principais iniciativas regulatórias lançadas pela ERSE durante o mês de julho.



As principais novidades regulatórias de julho

Para além da evolução dos preços, julho trouxe desenvolvimentos importantes na regulação do setor elétrico português. Destacamos três temas com impacto potencial na forma como a eletricidade será consumida, gerida e comercializada nos próximos anos.



Novos períodos horários procuram acompanhar a transformação do sistema elétrico

A Diretiva n.º 3/2026 da ERSE aprovou uma nova organização dos períodos horários da eletricidade em Portugal continental, cuja implementação será faseada a partir de 2027.


A alteração procura aproximar os períodos tarifários do atual funcionamento do Sistema Elétrico Nacional. O crescimento da produção renovável, em particular da energia solar, alterou os momentos do dia em que existe maior ou menor pressão sobre a rede.


Uma das mudanças mais relevantes será a concentração das horas de ponta no final do dia, quando a produção fotovoltaica diminui e o consumo tende a aumentar. Mantêm-se as durações dos diferentes períodos tarifários, mas altera-se a sua distribuição ao longo do dia.


Para consumidores e empresas, a mudança reforça uma tendência cada vez mais evidente: o momento em que a eletricidade é consumida começa a ser tão relevante como a quantidade consumida.



A flexibilidade será essencial para integrar mais energia renovável

Outro dos desenvolvimentos relevantes foi a publicação pela ERSE do Relatório de Análise de Necessidades de Flexibilidade em Portugal, que avalia as necessidades do sistema elétrico entre 2030 e 2035.


O estudo mostra que o aumento da produção renovável exigirá uma maior capacidade para adaptar produção, armazenamento e consumo às condições do sistema.


Sem recursos adicionais de flexibilidade, a ERSE estima que Portugal poderá não conseguir aproveitar entre 2,7 e 4,3 TWh de energia renovável em 2030, dependendo do cenário analisado. Para responder a este desafio, o relatório identifica soluções como baterias, armazenamento de longa duração, resposta da procura, carregamento flexível de veículos elétricos e gestão inteligente dos consumos.


A flexibilidade deixa, assim, de ser apenas uma questão técnica de operação da rede. A capacidade de deslocar consumos, armazenar energia e responder aos sinais do sistema deverá adquirir uma importância crescente também para consumidores e empresas.



ERSE procura reduzir a volatilidade dos Encargos de Regulação

A 10 de julho, a ERSE lançou a Consulta Pública n.º 142, centrada nos Encargos de Regulação para o Sistema e na necessidade de tornar estes custos mais previsíveis.


A elevada volatilidade destes encargos cria dificuldades adicionais aos comercializadores, sobretudo na construção de ofertas de preço fixo. Ao contrário da energia, cujo preço futuro pode ser coberto através do mercado a prazo, estes custos são mais difíceis de antecipar, aumentando o risco associado a contratos de maior duração.


Entre as alterações colocadas em discussão encontram-se a criação de um produto financeiro que permita a cobertura destes custos, mudanças em alguns mecanismos dos serviços de sistema e a repercussão de parte dos encargos nas Tarifas de Acesso às Redes.


O objetivo passa por aumentar a previsibilidade dos custos suportados pelos comercializadores e criar condições para um mercado mais estável e competitivo.



O que nos diz julho sobre a evolução do mercado?

Julho de 2026 evidencia duas tendências que importa acompanhar.


A primeira é a evolução dos preços. O mercado diário atingiu 106,98 €/MWh, mais 52,6% do que em julho do ano passado, enquanto os Encargos de Regulação se mantiveram relativamente estáveis face a junho.


A segunda é mais estrutural. Os desenvolvimentos regulatórios do mês apontam todos, de formas diferentes, para o mesmo desafio: adaptar o sistema elétrico a uma produção cada vez mais renovável, variável e descentralizada.


Os novos períodos horários procuram transmitir sinais mais adequados sobre quando consumir. O relatório de flexibilidade demonstra a necessidade de adaptar procura, armazenamento e produção. E a consulta pública sobre os Encargos de Regulação procura responder aos custos e à volatilidade associados à gestão de um sistema elétrico mais complexo.


Para consumidores e empresas, isto significa que acompanhar apenas o preço médio da eletricidade será cada vez menos suficiente. Compreender quando se consome, como evoluem as diferentes componentes do custo da energia e que alterações estão a ocorrer no mercado será cada vez mais relevante para tomar decisões informadas.


Na Hype7 continuaremos a acompanhar a evolução do mercado de eletricidade, traduzindo os principais números e alterações do setor de forma simples e útil.


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